Reforma da Previdência: um debate unilateral

Roberto Gabriel de Assis – Jornalista e bacharel em Direito
Servidor da 1ª Vara Federal Cível de Vitória (TRF-ES)

 

Há quem sustente que a reforma da Previdência não é necessária, ou que o déficit previdenciário é uma farsa. Não tenho elementos e nem conhecimento técnico para afirmar isso. Penso até que é necessário estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria no Regime Geral de Previdência (no Regime Próprio, isso já é uma realidade), porque a expectativa de vida dos brasileiros vem de fato aumentando, e a parcela de pessoas idosas na população é cada vez maior. O que me incomoda é a forma como a questão está sendo tratada pelo governo e pela imprensa.

 

O tema “reforma da Previdência” se tornou uma espécie de mantra, incansavelmente repetido pelo presidente da República, ministros e técnicos da área econômica do governo, parlamentares governistas, jornalistas especializados em política e economia dos principais meios de comunicação. E também por todas as pessoas entrevistadas ou convidadas para debater o assunto por esses veículos de imprensa. Os argumentos apontam em uma só direção: o imperativo de se fazer a reforma sem mais demora (e sem maiores questionamentos), do contrário, não teremos salvação, será o caos, o fim dos tempos.

 

Essa unanimidade que chega ao público principalmente através da TV aberta ou paga, mas também de jornais e revistas na sua forma física ou virtual, não é um exemplo de bom jornalismo. Não estão ouvindo os dois lados, não estão dando voz a quem pensa diferente. Não estão mostrando que o governo que bate o pé acerca da necessidade da aprovação da reforma para equilibrar as contas públicas é o mesmo que responde por renúncias fiscais gigantescas, como a da MP 795, também conhecida como “MP do trilhão”, que vai beneficiar o setor petrolífero nos próximos 20 anos; ou o generoso refinanciamento das dívidas dos produtores rurais.

 

A mesma parcialidade se verifica com relação aos servidores públicos civis (porque, com os militares, ninguém se mete), constantemente acusados de vilões dos cofres públicos, detentores de privilégios absurdos. Mas não se vê uma voz na imprensa ou no governo mencionando todas as mudanças que ocorreram no Regime Próprio de Previdência desde o fim da década de 1990, e que culminaram com a criação dos fundos de previdência complementar, em 2013. De acordo com o discurso oficial, é preciso fazer mais, acabar com mais direitos, do contrário, não haverá futuro.

 

Pode até ser que a Previdência Social esteja caminhando para o insustentável, como querem nos fazer acreditar. Mas se as reformas são realmente urgentes e
necessárias, o governo brasileiro deve à população em geral, e particularmente às pessoas atingidas, mais transparência, mais informação, mais respeito.

 

Quanto aos veículos de comunicação, deveriam fazer uma autocrítica e passar a adotar o bom jornalismo, que ouve todos os lados e analisa todos os argumentos, porque o debate de qualquer assunto, principalmente de um tema tão relevante, não pode ser unilateral.

 


Este é um espaço dedicado à publicação de artigos de autoria dos servidores do Poder Judiciário Federal no Estado do Espírito Santo. O conteúdo aqui veiculado representa a opinião exclusiva do seu autor e não necessariamente condiz com os ideais do Sinpojufes, tão pouco da Diretoria Executiva do sindicato.


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Há quem sustente que a reforma da Previdência não é necessária, ou que o déficit previdenciário é uma farsa. Não tenho elementos e nem conhecimento técnico para afirmar isso. Penso até que é necessário estabelecer uma idade mínima para a aposentadoria no Regime Geral de Previdência (no Regime Próprio, isso já é uma realidade), porque a expectativa de vida dos brasileiros vem de fato aumentando, e a parcela de pessoas idosas na população é cada vez maior. O que me incomoda é a forma como a questão está sendo tratada pelo governo e pela imprensa.

 

O tema “reforma da Previdência” se tornou uma espécie de mantra, incansavelmente repetido pelo presidente da República, ministros e técnicos da área econômica do governo, parlamentares governistas, jornalistas especializados em política e economia dos principais meios de comunicação. E também por todas as pessoas entrevistadas ou convidadas para debater o assunto por esses veículos de imprensa. Os argumentos apontam em uma só direção: o imperativo de se fazer a reforma sem mais demora (e sem maiores questionamentos), do contrário, não teremos salvação, será o caos, o fim dos tempos.

 

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A mesma parcialidade se verifica com relação aos servidores públicos civis (porque, com os militares, ninguém se mete), constantemente acusados de vilões dos cofres públicos, detentores de privilégios absurdos. Mas não se vê uma voz na imprensa ou no governo mencionando todas as mudanças que ocorreram no Regime Próprio de Previdência desde o fim da década de 1990, e que culminaram com a criação dos fundos de previdência complementar, em 2013. De acordo com o discurso oficial, é preciso fazer mais, acabar com mais direitos, do contrário, não haverá futuro.

 

Pode até ser que a Previdência Social esteja caminhando para o insustentável, como querem nos fazer acreditar. Mas se as reformas são realmente urgentes e
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